O exercício físico e o impacto socioeconómico da doença

Porque devem os nossos séniores fazer exercício? Porque devem ser implementadas políticas de promoção da actividade física na 3ª idade? Primeiro faz-lhes bem à saúde, segundo faz-nos bem à carteira… A todos. Pelo menos é o que nos diz um estudo publicado há dias no PLoS sobre o impacto económico dos programas de exercício cardiorespiratório e de musculação em idosos com deficit cognitivo e sinais de Alzheimer. A prática de actividade física estruturada deste tipo reduziu a necessidade de cuidados de saúde, idas ao médico, e exames de diagnóstico complementares.

“Verificámos que quem participou em programas de treino cardiorespiratório e de força necessitou de menos recursos de saúde – como visitas ao médico e testes laboratoriais – comparado com quem seguiu programas de equilíbrio e tonificação” – Jennifer Davis, autora principal do estudo.
Interessante também é o facto do treino de musculação ter melhorado significativamente sintomas do declínio cognitivo dos participantes. Na verdade, este estudo fundamentou-se num outro da Doutora Liu-Ambrose que mostrava os benefícios do treino de força em atenuar a degeneração neuro-cognitiva e a melhorar a mobilidade nos idosos.
Falamos em doenças neuro-degenerativas mas podíamos estar a falar de diabetes, osteoporose, doenças cardiovasculares, etc. Em vez de exercício físico estruturado poderíamos estar também a falar da promoção de uma alimentação decente. Infelizmente, os nossos “decisores” não conseguem olhar além do imediato e ver que políticas de saúde primárias, preventivas, não só actuam a nível da qualidade de vida mas também reduzindo os custos socioeconómicos da doença, algo que já aceitamos como normal apenas porque é comum. Ser “normal” é morrer doente aos 70 anos na cama de um hospital. Eu não quero ser “normal”… Tu queres?

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